UM POUCO DA HISTÓRIA DE ORGANIZAÇÃO DA IGREJA

O Rio de Janeiro do século XIX comportava avanços técnicos e culturais, além de regiões rurais, formadas por grandes propriedades agrícolas. A fazenda do Campinho, parte da freguesia de Irajá, teve como um dos proprietários o boiadeiro Lourenço Madureira, que faleceu em 1851 e deu o nome à região que hoje concentra grande parte do comércio popular varejista da cidade.

Com a inauguração da estação ferroviária de Madureira, em 1896, a região que, até a década de 1850, era composta de grandes propriedades rurais, dava um passo em direção ao futuro. O bairro se construiu ao redor da estação. Próximo a ela, na Rua Maria Lopes, 19, em 1900, teve início o ponto de pregação dirigido pelo irmão Germínio M. dos Santos, membro da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, pastoreada, à época, pelo pastor Francisco Fulgêncio Soren.

Com o tempo, a casa do irmão Germínio, na Rua Maria Lopes, não era mais suficiente para comportar a frequência semanal, por isso foi proposta a mudança de endereço para a Rua João Vicente, no antigo número 32. E em 02 de abril de 1910, foi inaugurada a Congregação Batista de Madureira.

O período entre ponto de pregação e congregação foi marcado pelo intenso trabalho de vários irmãos anônimos e outros, cujos nomes podem ser destacados, como a irmã Emiliana Sales, esposa do irmão Germínio; Antônio Peixoto e o então seminarista Abraão José de Oliveira.

O culto de inauguração da Congregação Batista de Madureira foi marcado pela preleção do missionário dr. Madec. A congregação passou a ser responsabilidade do seminarista Abraão Oliveira, que, à época, era auxiliar do pastor Soren.

Desde antes da organização da igreja, a preocupação com o contexto social é evidente nos batistas madureirenses. O seminarista Abraão Oliveira observou que havia carência na área de educação no bairro, a fim de minimizar a situação, organizou a Escola Baptista de Madureira. Assim, a partir de 28 de setembro de 1911, o bairro de Madureira contava com mais uma instituição de ensino. Esse espaço serviu aos membros da igreja, cujos filhos não conseguiam matrículas, bem como aos demais moradores do bairro. Através da escola, a congregação ganhou a simpatia de todos, além de colaborar com a educação formal e religiosa de várias crianças.

Um ano especial foi 1911. Além da inauguração da escola, em 11 de novembro, foi formado o Coro da igreja, conhecido hoje como Coro Dorivil de Souza. O primeiro regente do coro foi o irmão Sérgio Ferreira dos Santos. E o ano terminou com a organização da Egreja Baptista de Madureira, que se formava com 37 membros, sob a liderança do pastor Francisco Fulgêncio Soren, que pastoreava várias igrejas simultaneamente, à época.

ATA DE ORGANIZAÇÃO DA EGREJA BAPTISTA DE MADUREIRA
(Publicada em O Jornal Batista em 4 de janeiro de 1912)

No dia 31 de dezembro de 1911, às 6h30 da tarde, teve lugar a organização da nova Egreja Baptista de Madureira. O serviço começou dirigido pelo diretor da congregação, irmão Abrahão José de Oliveira, que fez a chamada dos representantes das egrejas. Responderam à chamada representantes da Primeira Egreja Baptista do Rio, das Egrejas do Engenho de Dentro, Catumby, Santa Cruz e Ilha do Governador. Com estes representantes foi constituída a mesa organizadora, a qual elegeu seu representante o irmão F.F.Soren, que nomeou secretário o irmão Julião Magalhães Passos. Feita a chamada dos membros a constituírem-se em egreja, responderam à chamada 37, todos com carta da Primeira Egreja. Foram lidos os artigos de fé, com os quais todos concordaram e considerou-se organizada a igreja.

Feita por escrutínio secreto a eleição de oficiais, deu o seguinte resultado: pastor, F.F.Soren; evangelista, Abrahão José de Oliveira; 1o. secretário, Manoel Alves de Figueiredo; 2o. secretário, Domingos de Freitas; Tesoureiro, João do Nascimento. Tirou-se uma coleta que rendeu 24$360. Alguns irmãos deram algu- mas palavras quanto aos deveres da nova egreja; finalmente proferiu o discurso oficial o irmão O. P. Maddox, que serviu do seguinte texto: “olha, disse, faze tudo conforme o modelo que no monte Ele te mostrou” (Hebreus 8.5). Sobre este texto ele baseou uma bonita exortação para que a igreja na sua atividade se dirigisse sempre pelas santas Escrituras.

A concorrência foi enorme; nada menos de 250 pessoas se comprimiam no bonito e bem localizado salão que os irmãos ali arranjaram, e muitas retiraram-se por não poderem entrar. A casa de culto, preparada de um modo simples, é todavia um atestado de bom gosto: os bancos são de ripas de pinho, mas tudo bem arrumadinho. Igualmente o púlpito; e tudo aquilo trabalho dos mesmos irmãos, que não tinham recursos para pagar a um marceneiro. A iluminação é elétrica e muito bem disposta. Na ocasião a sala estava ornada de flores naturais. De tudo os circunstantes ficaram agradavelmente impressionados. No programa de hymnos entrou um, executado pela Primeira Egreja do Rio e uns dois outros pelo coro da nova egreja, todos agradando muito ao auditório. A organização terminou depois das 9 horas da noite; e a seguir a egreja celebrou a noite de vigília.

NOSSOS PASTORES

Em mais de 100 anos de história, a igreja contou com a liderança de 11 pastores efetivos e 4 interinos, como consta a seguir.

Pastor Condição Data da Posse
Francisco Fulgêncio Soren Interino 31 de Dezembro de 1911
Abraão José de Oliveira Efetivo 29 de Setembro de 1912
Salomão Luiz Guinsburg Interino Setembro de 1916
Ernesto de Araújo Efetivo Dezembro de 1920
Américo Luciano Sena Efetivo Agosto de 1950
Francisco Araújo Interino 31 de Dezembro de 1950
Eliezer Corrêa de Oliveira Efetivo 31 de Dezembro de 1958
Albérico Alves de Souza Efetivo 31 de Dezembro de 1958
Irland Pereira de Azevedo Interino 29 de Novembro de 1964
Roque Monteiro de Andrade Efetivo 13 de Junho de 1965
Altino Vasconcelos Efetivo 13 de Março de 1968
João Carlos Keidann Efetivo 21 de Abril de 1974
José Francisco Aguiar do Amaral Efetivo 18 de junho de 1978
Oswaldo Ferreira Bomfim Efetivo 02 de setembro de 1984
Marcos Gaudard Corrêa Efetivo 30 de Abril de 1995